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Bravo Luís!

Luís Brito Pedroso estreia-se no universo literário: “Poema Seis” uma metáfora sobre os homens
Quarta-Feira, 21 de Dezembro de 2005
Texto: Maria Ricardo/Fotos: Luís Brás

Esta estreia na literatura é fruto de quê?
Comecei a escrever há uma dúzia de anos, contudo, com a entrada na faculdade, a escrita ganhou maior importância na minha vida, paralelamente com a leitura, e fui fazendo algo a que chamava pequenos livros, até ao momento em que senti a necessidade de ser lido. Os textos que compõem o “Poema Seis” foram escritos entre Janeiro de 1999 e o Outono de 2000, exactamente na época em que experimentei a vontade de ser publicado. Entretanto, os anos passaram, fui fazendo mais trabalhos, até que a Papiro me sugeriu que enviasse uma proposta de publicação. Obviamente que não pensei duas vezes e mandei o que havia escrito na fase em que apeteceu editar, ou seja “Poema Seis”.

É então uma obra impulsionadora?
Sem dúvida que este livro tinha de ser o primeiro. Depois de tantos textos escritos, os que agora são publicados deram-me os primeiros sinais da necessidade de partilha.

Contudo, durante cinco anos deixou os sinais adormecidos…
É verdade, nunca fui muito insistente. Tentei outras editoras mas sem grande perseverança. Até mesmo o encontro com a Papiro foi um acaso que aconteceu quando abri o Diário de Notícias e vi o anúncio. Mandei um e-mail, responderam-me passados dois meses a pedir a proposta e em menos de sessenta dias a minha obra é lançada.

O seu curriculum diz que despertou tardiamente para a leitura ao contrário da escrita…
A escrita despertou em mim por volta dos 15 anos, enquanto a leitura só pelos 18, quando entrei para a faculdade. O convívio com os meus colegas de curso de arquitectura foi decisivo, pois a maioria tinha um grande interesse pela literatura e eu que já escrevia vi crescer a vontade de conhecer e alimentar-me com outros escritor, encontrar referências e fortalecer o papel intocável que a escrita tem na minha vida.

Até então não tinha referências?
Não tinha referências literárias, nem vontade de ler qualquer autor.

Como é que explica a apetência para a escrita…
No início, tinha a ver com o que acontece com a maioria dos adolescentes. A necessidade de exprimir qualquer coisa… a catarse. A alguns, mais tarde, é revelado que é algo mais, uma necessidade mais profunda que acaba por se transformar numa actividade compensadora.

Não obstante a necessidade de escrever formou-se em arquitectura…
Existe uma certa ligação entre as duas áreas. Não sei se será o meu caso…mas a literatura evoca a imagem visível na arquitectura. No fundo, são duas variantes artísticas.

Actualmente, o que é que pesa mais?
É muito difícil responder. A arquitectura paga as contas, enquanto a literatura me mantêm equilibrado, ou seja remunera o meu interior…

Já referiu que tem mais textos escritos. São todos em poema?
Tenho escrito sempre poemas soltos, apesar de terem uma ligação entre si, como o que agora é editado. Apenas um dos meus trabalhos sai deste registo, assumindo-se como uma espécie de poema longo… que espero publicar no futuro.

É então na poesia que se quer afirmar?
Nada está planeado, apesar de todas as minhas obras serem no campo da poesia, excepto textos que tenho feito nos últimos tempos que se afiguram como pequenas prosas de uma página, muito livres…

Tem certamente poetas de referência…
Três poetas de referência: Herberto Helder pela palavra e pela força; Al Berto pela imagem; e Mário Cesariny pela atitude.

Qual a mensagem de “Poema Seis”?
“Poemas Seis” é uma metáfora para falar da vida dos homens, dos sítios que eles habitam, das suas consciências que são as abelhas-residentes em favos/células hexagonais com seis lados. Daí o título. Este livro é, acima de tudo, uma colectânea de poemas organizados por secções que transportam o leitor para uma viagem ao interior de cada um, seguindo-se uma parte autobiográfica e, posteriormente, o abstracto. A tendência é uma progressiva e obsessiva escavação do eu próprio…


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Luís Brito Pedroso nasceu em Lisboa, no Hospital de Santa Maria, no dia 24 de Dezembro de 1977. Viveu quase toda a vida em Barcarena, uma aldeia do concelho de Oeiras, mantendo sempre o contacto com Lisboa, potenciado após o ingresso no curso de arquitectura da F.A.U.T.L.. Teve assim um crescimento estimulado tanto pela cidade como pela ainda pequena e calma aldeia. O percurso académico foi decisivo na formação da sua identidade e da sua sensibilidade criativa, desde os contactos humanos lá estabelecidos à aprendizagem propriamente dita. A mente foi-se abrindo através do conhecimento daquela a que gosta de chamar a “sua” cidade, tantas vezes mencionada nos seus textos, à medida em que nela se embrenhou, em que lhe descobriu os cantos e as noites. O gosto pelos livros terá talvez sido tardio, mas hoje são parte importante da vida do autor que, como tantos outros, começou a escrever na adolescência para satisfazer uma necessidade pouco definida de se exprimir.

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O Luís que com paciência infinda me levava todos os sábados a casa depois de noites de loucura na Juke...passou já tanto tempo disso..
Um grande abraço meu amigo.

Entrevista em Notícias da Manhã
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